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Postado em jun 2, 2015 em Destaque, Teatro

Espetáculo de Luciano Alabarse estreia no Theatro São Pedro

Como acontece todo o ano, Luciano Alabarse mal termina uma “tarefa de gincana” – como ele denomina seus grandes projetos – e já se debruça em outra. Não foi diferente com a pesquisa e montagem de seu novo espetáculo, “Crime Woyseck”, que tem estreia nacional dia 12 de junho no Theatro São Pedro. A montagem reúne dois textos de autores aparentemente distanciados no tempo e no espaço, mas totalmente sintonizados em conteúdo e forma: “Woyzeck”, do alemão Georg Büchner (1813/1837) e “Crime”, do dinamarquês Peter Asmussen (1957).

O processo todo se iniciou nas eleições de 2014, quando, entusiasmado e absorvido pelo roteiro do espetáculo, Luciano viu o Brasil se dividir em uma guerra ideológica nunca vista. “Os embates partidários, de nível baixíssimo, aumentaram minha vontade de falar sobre política, autoritarismo, desigualdade e justiça social. E vi que tinha, em minhas mãos, o material certo para isso. Que ninguém espere ou cobre de mim reduções políticas de ordem dogmática ou partidária. A realidade, para desespero de muitos, é muito mais complexa do que o nós contra eles”, afirma. “Ao perceber as incríveis aproximações entre dois textos aparentemente desvinculados, como os dois lados que se digladiavam em lados opostos da eleição – mais parecidos do que gostariam -, as possibilidades cênicas do roteiro pareceram espelhar, com argúcia, nosso tempo de confrontos absurdos. Entre excessos e contradições, a sociedade brasileira está buscando um sentido coletivo às suas demandas organizacionais. O mundo globalizado também. A pobreza atual, porém, igual à revelada no Woyzeck de Büchner, esgarça as esperanças de um tempo mais justo. Resta, então, o mundo desajustado espelhado pelo Crime de Asmussen. Épocas distintas e complementares, sintonizadas por temáticas correlatas, que, em seu estranhamento, amarram cenas, histórias, tempos e espaços”, complementa o diretor.

Italo Calvino afirmou que “um clássico é uma obra que nunca termina de dizer o que tinha para dizer – porque trata de temas inesgotáveis, que iluminam a esfera do Humano”. Woyzeck, o texto de Georg Büchner, se encaixa nessa definição. Escrita entre 1836/1837 e inacabada devido à morte precoce de seu autor, foi apenas a partir da década de 1920 que a obra passou a ter repercussão universal. Sua surpreendente atualidade encontra eco no âmago de urgentes problemas contemporâneos. Na dissonância com a qual desqualifica a figura do herói clássico, por exemplo. O protagonista büchneriano pertence às mais humildes esferas trabalhistas, fato dramatúrgico inédito, e por isso mesmo é tratado como fantoche por seus pares e superiores. Woyzeck, o personagem, é coagido e desautorizado pela história. O automatismo de suas reações e o inventário de suas humilhações, sociais e individuais, o leva ao crime.

A estrutura dramatúrgica do texto exemplifica o que se convencionou chamar de “drama aberto”, típico de boa parte da criação teatral dos séculos XX e XXI, e que se opõe às formulas disseminadas no teatro tradicional. Anatol Rosenfeld designou a peça como um “drama em pedaços”, que só como fragmento poderia completar-se. A sucessão descontínua de suas cenas subverte a ação aristotélica linear e abre diálogo com as perspectivas mais ousadas da cena contemporânea. Reunir os “pedaços” de Büchner aos do Crime de Peter Asmussen se revelou um jogo cênico pertinente e complexo. O autor dinamarquês, nunca montado no Brasil e marcado por sua colaboração com o diretor Lars Von Trier, reúne em seu texto quatro cenas independentes, centralizadas em interrogatórios de dimensões e alcances distintos. A presente adaptação se vale, em seu prólogo, de fragmentos de “A morte de Danton”, do próprio Buchner. Danton e Woyzeck, os heróis decaídos, têm a óbvia simpatia do autor. Mesmo assim, serão ambos submetidos ao julgamento popular por seus atos. A transversalidade entre as obras fluiu sem forçar aproximações.

Como também é comum em suas peças, Luciano aposta em atores jovens pra compor, com os já consagrados, seus elencos. Assim, Gabriela Poester, Gustavo Susin, Plínio Marcos, Laura Leão e Pingo Alabarce contracenam com Ida Celina, Zeca Kiechaloski, Mauro Soares, Elison Couto e Carlos Cunha Filho. A assistência de direção é de Alexandre Magalhães e Silva e Fernando Zugno e Miguel Arcanjo são os produtores.

Concepção do espetáculo/ cenário/ figurino/ trilha sonora
A reunião de dois textos aparentemente distanciados no tempo e no espaço, mas totalmente sintonizados em conteúdo e forma (estrutura dramatúrgica fragmentada/ independência entre as diferentes cenas do texto/ linguagem contemporânea) levou a uma primeira decisão: colocar distinção do tratamento cênico entre ambas. Assim, o Woyzec de Buchner, apresentado na íntegra de suas cenas díspares, têm luz e cores compatíveis para contar a história do soldado que, humilhado e enciumado, dá vazão às suas vozes internas, em um ambiente de cidade à beira de um lago visitada por grupo de circo mambembe, sitiada por exército inimigo. Mesmo em situação adversa, em cena reluz a esperança ingênua do personagem em dias melhores no futuro. Essa esperança é realçada cenicamente através de figurinos cheios de cor, iluminação feérica e trilha sonora de canções do folclore alemão. Já a contemporaneidade do Crime, de Asmussen, em sua dramaturgia que remete ao teatro do absurdo, é tratada de forma seca e realista, com iluminação branca, canções contemporâneas de Tom Waits e Nick Cave e figurinos neutros.

Ficha técnica

Elenco
Gustavo Susin – Woyzeck/ André/ Erik
Pingo Alabarce – Woyzeck/ André/ Willy
Ida Celina – mulher
Plínio Marcos Rodrigues – homem
Elison Couto – Rafael/ Jakob/ tamboreiro
Gabriela Poester – Maria
Laura Leão – vizinha/ mulher barbada/ velha
Carlos Cunha Filho – capitão
Zeca Kiechaloski – doutor
Mauro Soares – dono da tenda/ judeu

Diretor assistente: Alexandre Magalhães e Silva
Cenografia: Yara Balboni e Luciano Alabarse
Iluminação: criação e operação de luz: João Fraga e Maurício Moura
Figurinos: Malu Rocha
Maquiagem e adereços: Elison Couto
Adereços cenários: Alexandre Magalhães e Silva/ Miguel Arcanjo/ Yara Balboni
Contrarregragem: Miguel Arcanjo (varas cênicas)
Pintura dos cenários: Adalberto Almeida
Concepção trilha sonora: Luciano Alabarse (canções de Nick Cave e Tom Waits )
Divulgação: Bebê Baumgarten
Programação gráfica: Dídi Jucá
Fotografia: Mariano Czarnobai e Juliana Alabarse (Creative Fotografia)
Produção executiva: Fernando Zugno e Miguel Arcanjo
Um espetáculo de Luciano Alabarse

Crime Woyseck – espetáculo de Luciano Alabarse
Dias 12 e 13 (às 21h) e 14 de junho (domingo, 18h)
Dias 18, 19, 20 (às 21h) e 21 de junho (domingo, 18h)
Theatro São Pedro – Praça Marechal Deodoro, s/n. Centro Histórico. Porto Alegre

 

Crime Woyzeck Crédito: Creative Fotografia

Crime Woyzeck
Crédito: Creative Fotografia

Crime Woyzeck Crédito: Creative Fotografia

Crime Woyzeck
Crédito: Creative Fotografia

 

Ingressos:
Plateia: R$ 60 e R$ 30 (desconto previsto na lei)
Camarote central: R$ 50 e R$ 25 (desconto previsto na lei)
Camarote lateral e galeria: R$ 40 e R$ 20 (desconto previsto na lei)
À venda nas bilheterias do Theatro São Pedro

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